Pintura de Miguel Westerberg
quinta-feira, 30 de abril de 2009
25 de Abril 35 anos depois - Caminho da História da Libertação do Homem
Passaram 35 anos da Revolução dos Cravos, Revolução que trouxe liberdade e derrubou o Fascismo, que permitiu transformar o sonho em realidade! Nas semanas, meses que se seguiram muitos passos se deram, como Chico Buarque disse na segunda versão de “Tanto Mar”: “... foi bonita a festa, pá!...”... E foi bonita! Uma semana depois perto de 1 milhão de pessoas comemorava o 1º de Maio, dia do trabalhador, em Liberdade. Nas semanas seguintes, constituíram-se sindicatos, comissões de moradores, colectividades, Associações, Grupos desportivos e culturais! Cantaram-se as músicas antes censuradas. Declamaram-se os poemas antes cortados pelo lápis azul! Constituíram-se os Partidos! O PCP até então na clandestinidade foi o primeiro a tornar-se legal! Ocuparam-se casas desocupadas para dar habitação a quem não a tinha ou vivia em barracas! Os Agricultores ocuparam terras até então improdutivas e votadas ao abandono por latifundiários gananciosos. Terras que foram germinadas! A dependência alimentar do País face ao estrangeiro diminuiu progressivamente! Nacionalizou-se a banca e os sectores chave da economia! Estabeleceu-se o salário mínimo nacional pela primeira vez! Atribuíram-se reformas aos reformados, pensionistas e idosos que até então não as tinham. Libertou-se os povos das colónias parando-se com a Guerra Colonial sangrenta que matou e estropiou milhares de Portugueses, Angolanos, Moçambicanos e Guineenses! Acabou-se com a censura!
Foi uma festa bonita!
Mas como Chico Buarque disse na segunda versão de “Tanto Mar”: “...já murcharam tua festa, pá!...” E, murcharam mesmo, passado um ano e alguns meses concretizou-se um contra golpe na revolução a 25 de Novembro!
E desde aí a ofensiva contra as conquistas de 25 de Abril não mais parou! Destruíu-se a agricultura, parte das terras servem hoje para capitalistas passearem aos fins de semana ou jogar golfe, a dependência alimentar de Portugal atingiu valores nunca antes atingidos! Privatizou-se os bancos para que os seus donos se envolvessem em negócios especulativos e pouco claros que já levou a uma crise sem precedentes no sistema financeiro, paga pelos impostos de quem trabalha!
Mas, 35 anos depois, pode-se dizer que parte das conquistas se mantêm! Salário mínimo, Reformas, liberdade de organização, Libertação dos povos das colónias! E como Buarque diz “... mas certamente esqueceram alguma semente nalgum canto de jardim...”. A semente da revolução de Abril irá germinar no caminho da História. História da libertação do homem de todas as formas de exploração e opressão. O Caminho da história que iremos percorrer como outros o percorreram no passado! Aqueles que fizeram Abril permitiram-me nascer mais à frente no caminho! O Caminho prosseguirá, muitos morrerão sem chegar ao fim dele, mas permitirão, certamente, às gerações vindouras nascer mais à frente no Caminho da História da Libertação do homem!
Caminhar pelos ideais de Abril e pela libertação do homem de todas as formas de exploração e opressão é o objectivo de “Há Sempre Alguém...”
quarta-feira, 29 de abril de 2009
"Filhos da Madrugada"
Pelas praias do mar nos vamos
À procura de quem nos traga
Verde oliva de flor nos ramos
Navegamos de vaga em vaga
Não soubemos de dor nem mágoa
Pelas praia do mar nos vamos
À procura da manhã clara
Lá do cimo de uma montanha
Acendemos uma fogueira
Para não se apagar a chama
Que dá vida na noite inteira
Mensageira pomba chamada
Companheira da madrugada
Quando a noite vier que venha
Lá do cimo de uma montanha
Onde o vento cortou amarras
Largaremos p'la noite fora
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória já não espera
Fresca, brisa, moira encantada
Vira a proa da minha barca."
José Afonso
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Tanto Mar - 2ª Versão 1978
Fiquei contente
E inda guardo, renitente
Um velho cravo para mim
Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto do jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Canta a primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim"
Chico Buarque
domingo, 26 de abril de 2009
"As portas que Abril abriu"
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| "Era uma vez um país onde entre o mar e a guerra vivia o mais infeliz dos povos à beira-terra. Onde entre vinhas sobredos Era uma vez um país
Ali nas vinhas sobredos Um povo que era levado Ora passou-se porém Era a semente da esperança Era já uma promessa Esses que tinham lutado Não tinham armas é certo uma pistola guardada Quem o fez era soldado Posta a semente do cravo Foi então que o povo armado Pois também ele humilhado Era preso e exilado Capitão que não comanda Porque a força bem empregue Foi então que Abril abriu Disse a primeira palavra E então por vinhas sobredos Em idas vindas esperas Dizia soldado amigo Foi esta força sem tiros Foi esta força viril fez Portugal renascer. E em Lisboa capital Mesmo que tenha passado E se esse poder um dia Essas portas que em Caxias Agora que já floriu Contra tudo o que era velho Quando o povo desfilou Mas eram olhos as balas E o grito que foi ouvido Contra tudo o que era velho E então operários mineiros A seu lado também estavam Porém cantar é ternura E uns e outros irmanados Entanto não descansavam Foi então se bem vos lembro E foi um mosto tão forte Ali ficámos de pé Ali dissemos não passa! Foi a força do Outono Foi a força dos mineiros Desde esse dia em que todos Porém em quintas vivendas Por isso o onze de Março E tivemos de pagar Fugiram como cobardes E aqui ficaram de pé Os tais homens que sentiram Os tais homens que souberam Os que viram claramente Os tais homens feitos de aço Essa história tão bonita Dai ao povo o que é do povo Havia sim a lonjura Foi este lado da história das naves que transportaram Por saberem como é E em sua pátria fizeram Mesmo que seja com frio pensar que somos um mar No Minho com pés de linho É isto a reforma agrária Quem a fez era soldado De tudo o que Abril abriu Na frente de todos nós Ouvi banqueiros fascistas Ary dos Santos |
Tanto Mar - 1ª Versão - 1975
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim
Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim"
Chico Buarque
sábado, 25 de abril de 2009
A PIDE dispara contra o povo
Uma força da GNR dispõe-se ao longo da Rua Nova da Trindade, até junto da retaguarda das forças de Cavalaria que cercam o Carmo.A coluna do RC 3, que tinha como missão libertar os militares presos na Trafaria, chega à Ponte sobre o Tejo. Do Posto de Comando recebe, porém outro objectivo: acorrer em defesa das forças de Salgueiro Maia, a fim de encurralar a GNR e a Polícia de Choque entre dois fogos.
Centenas de pessoas descem a Rua António Maria Cardoso, entoando o hino nacional, e aproximando-se da sede da PIDE/DGS, de cujas janelas são disparados tiros. Cinco feridos, alguns com gravidade.
O Povo Sai à rua!


As forças concentradas no Terreiro do Paço distribuem-se: uma parte em direcção ao Quartel General da Legião Portuguesa, na Penha de França, comandada por Jaime Neves e formada por forças aderentes do RC 7, RI 2 e RI 1. Outra parte, comandada por Salgueiro Maia, e formada pelas forças da EPC, em direcção ao Carmo. A marcha da coluna militar até ao Carmo, é acompanhada por impressionante número de pessoas que gritam: «Vitória! Vitória!», «Fim à guerra colonial!», «Abaixo o fascismo!» e « Liberdade! Liberdade!».

Salgueiro Maia dispõe as suas forças em posição de cerco ao Quartel do Carmo. Constituem-nas militares do RC 7, da EPC e da Região Militar de Tomar. As portas e janelas estão fechadas. Muito povo dificilmente contido nas ruas vizinhas, apoia os militares revoltosos. Vêem-se cravos vermelhos nos canos de muitas espingardas oferecidos aos soldados por populares.
O ultimo suspiro dos fascistas
Um avião de pára-quedistas sobrevoa o Terreiro do Paço. Entretanto, na outra margem do Tejo, dois aviões cruzam sinais de fumo. São fechados os acessos ao Terreiro do Paço e barricadas as ruas Augusta, do Ouro e da Prata.Detenção do General Louro de Sousa, quartel-mestre-general, à entrada do respectivo serviço.
Chegada ao Agrupamento Norte a Peniche. A Pide-DGS mostra-se disposta a resistir.
Mais posições tomadas pelo MFA
Pelas 7 horas da manhã, de há 35 anos, as forças do MFA tomavam novas posições, tudo corria como planeado, Uma coluna chega ao forte de Peniche, objectivo tomá-lo e libertar os presos políticos!No Porto uma coluna de artilharia pesada de Gaia toma posição junto da ponte da Arrábida!
Tomada do Terreiro do Paço
Há 35 anos por esta hora o MFA (movimento das forças armadas) ocupa o Terreiro do Paço, O Banco de Portugal e a Rádio Marconi, Salgueiro Maia comanda as unidades!A Revolução está na rua!!
Entre as 0.30 e as 3 horas
Inicia a marcha uma força da Escola Prática de Artilharia com destino ao Cristo-Rei em Almada.
Da Escola Prática de Infantaria sai uma força comandada por Rui Rodrigues para ocupar o Aeroporto de Lisboa.
Da Escola Prática de Cavalaria sai uma força comandada por Salgueiro Maia com o objectivo de ocupar o Terreiro do Paço.
De Stª Margarida o pessoal das Companhias de Caçadores 4241 e 4246 prepara-se para ocupar as antenas da Emissora Nacional situadas em Porto Alto.
De Tomar sai Hugo dos Santos para constituir um grupo de comandos destinado a neutralizar o 2º Comandante de Cavalaria 7, Ferrand de Almeida
De Viseu sai uma Companhia que se juntará a outras forças na Figueira da Foz.
Do Campo de Tiro da Serra da Carregueira saí um grupo de homens comandado por Oliveira Pimentel e Frederico Morais, com a missão de tomar os estúdios da Emissora Nacional na rua do Quelhas.
Movimentações ainda em unidades da Região Militar de Lisboa: Batalhão de Caçadores 5, Batalhão de Cavalaria 7, Escola Prática de Administração Militar (com a constituição de um grupo de homens comandados por Teófilo Bento, que tem por objectivo assaltar as instalações da Televisão, ao Lumiar), Escola Prática de Engenharia (que deve fornecer munições e juntar-se ás forças vindas de Santa Margarida.
Pelas 3 horas
Sacramento Marques, Comandante do CIOE de Lamego dá ordem de saída a uma companhia de comandos, sob as ordens de Delgado da Fonseca. Missão: fazer o itinerário Lamego-Porto e ocupar a delegação da PIDE/DGS na capital do Norte.
Carlos Azeredo, Eurico Corvacho, Albuquerque e Boaventura Ferreira penetram no Quartel General da Região Militar do Porto e transformam-no em Posto de Comando do Movimento no Norte do País.
Ocupação quase simultânea de pontos vitais da capital. Começam a ser enviadas para o Posto de Comando as confirmações em código:
Rádio Televisão Portuguesa, Teófilo Bento informa: "Daqui é maior de Lima Cinco. Acabamos de tomar Mónaco sem incidentes".
Rádio Club Português, Santos Coelho informa: "Aqui Grupo Dez. Informo México conquistado sem incidentes".
Emissora Nacional, Frederico Morais informa: "Daqui maior de Lima Dezoito. Informo ocupámos Tóquio sem qualquer incidente".
Quartel-General, Cardoso Fontão informa; "Canadá foi ocupado sem incidentes".
Pelas 3.30 Horas
Santos Júnior, Comandante da PSP do Porto, telefona para o Comando da GNR informando que o QG da Região Militar foi tomado por um grupo de oficiais revoltosos. As ordens não se fazem esperar: prevenção rigorosa. Contactos entre GNR e PSP e Regimento de Cavalaria 6 para libertar o Quartel General. Arriscado Nunes e Martins Rodrigues, Comandante e 2º Comandante do RC6, recusam colaborar e aderem ao Movimento. Contactados Rui Mendonça e Carneiro de Magalhães, respectivamente do Regimento de Infantaria 8 e do Regimento de Infantaria 13, recusam cumprir as ordens dos comandantes.
Pelas 4 horas
Ocupação do Aeroporto de Lisboa. Costa Martins ordena a emissão de instruções que interditam o espaço aéreo português e comunica para o Posto de Comando: "Aqui maior de Lima Dois. Informo Nova Yorque está ocupado e está sob nosso controlo".
Primeiras movimentações iniciam-se com 2ª Senha
Há trinta e cinco anos a noite fascista começava a despontar na madrugada dos cravos!