"Há um menino Há um moleque Morando sempre no meu coração Toda vez que o adulto balança Ele vem pra me dar a mão
Há um passado no meu presente Um sol bem quente lá no meu quintal Toda vez que a bruxa me assombra O menino me dá a mão
E me fala de coisas bonitas Que eu acredito Que não deixarão de existir Amizade, palavra, respeito Caráter, bondade alegria e amor Pois não posso Não devo Não quero Viver como toda essa gente Insiste em viver E não posso aceitar sossegado Qualquer sacanagem ser coisa normal
Bola de meia, bola de gude O solidário não quer solidão Toda vez que a tristeza me alcança O menino me dá a mão Há um menino Há um moleque Morando sempre no meu coração Toda vez que o adulto fraqueja Ele vem pra me dar a mão"
Francisco Louçã afirmou ontem, a propósito da Moção de Censura que o seu partido (BE) vai apresentar na Assembleia da República, que " ela foi no tempo certo, foi no momento certo, e trouxe para o debate político a vida destes dois milhões de trabalhadores precários, a recibo verde, dos desempregados, e as alternativas que queremos trazer”. Ou seja, Francisco Louçã e o seu partido depois de uns quantos meses calados a apoiarem o candidato presidencial do PS (Manuel Alegre), lembrou-se agora que existem 2 milhões de trabalhadores precários, a recibo verde e desempregados em resultado das políticas que o PS e o candidato (Manuel Alegre), apoiado por Francisco Louça e o seu partido, aprovaram nos últimos anos. Passado o silêncio cúmplice de uma campanha eleitoral, já pode de novo falar dos trabalhadores precários, a recibo verde e desempregados. Fica por saber se Francisco Louçã e o seu partido (BE) largam os seus "princípios" pela táctica eleitoralista, ou se nem sequer os possuem.
"Porque nasceste, vives Porque vivias cresceste Porque cresceste tiveste A sorte que não sabias Porque estudaste aprendeste As coisas de se saber E outras inúteis de sobra As coisas pr'a se esquecer As coisas pr'a se esquecer
Porque cumpriste fizeste O que te mandaram fazer Os padres o pai a mãe O professor o mais velho O sargento o comandante O senhorio a porteira O ministro o governante O cobrador o pedreiro - esteja cá na terça-feira! O bancário o carpinteiro O homem do gás da luz Da água do pão do leite E acabaste cumprindo Cumprindo tudo a preceito
Encomendaste gravatas Fatos novos e sapatos Dedicaste-te ao chinquilho Talvez ao king ou à canastra Fizeste um filho e outro filho Nas horas livres, às vezes, Em havendo futebol Sentiste-te homem da tasca Sentiste que eras uma besta Mas segunda-feira cedo Bem cedo bem matinal Te achavas de novo pronto Saindo para o mesmo emprego Comprando o mesmo jornal
E sempre todos os dias Cobiçaste a secretária Do teu chefe o sr. Sousa Para à noite pernas moídas Tomares o trinta e sete O carrinho ou a bicicleta E regressando cansado Do barulho e da cadência Sentires-te reencontrado Da solidão na indolência De um canapé recostado Pijama e televisão Aquecedor paciência Tudo muito bem ligado Tudo muito bem sentado Em conforto e concordância Em conforto e anuência
Nas férias redecoraste-te Bizarro na concepção E arriscaste um figurino Foste às compras de calção E sorriste aos teus parceiros De barraquinha na praia E à senhoria vizinha Que nunca tirou a saia Calculem só os senhores Agosto inteiro com saia
Aturaste a pequenada Brigas birras fraldas caca Apreciaste o traseiro Da amiga do teu amigo Rechonchudinha e mulata uma grandíssima vaca Viraste a cara em decoro Não vão os putos ver isto Espalhaste óleo pelas espaldas Enquanto a tua mulher Um pouco desconfiada Desabrida e despeitada Te exigiu - Ó silva tu muda as fraldas!
Depois à noite porreiro Caminhaste na avenida Muito fresco e prazenteiro Com a pança bem comida Às vezes de um frango inteiro Que não és homem dos fracos Dos fracos não reza a história E o Silva é alguém na vida Homem de bem de memória Contabilista da firma Tal e tal rua da Glória - Sempre que quiser já sabe É uma casa às suas ordens…
E depois pelo caminho Regressas gritas dás ordens Amuas gritas dás ordens Recuas gritas dás ordens E ameaças o outro Que ginou para este lado - se calhar querias coitado! E o camião chateado De se ver ultrapassado
Regressas mais bronzeado Mais gordo talvez mais magro Mais velho um mês e quem sabe Mais cansado que à partida
Regressas ao rame rame Enquanto suspirarás Todo o ano por um mês Todo o mês por outra vida Toda a vida por viver Algo que te valha a pena Ou então tu já nem sentes E mentes-te enquanto mentes E mentes e já não sentes E já não sentes mas mentes
Ano a ano te esfolharam Te roubaram prestações Letras fantasmas viagens Cromos selos colecções Hálito fresco e saudável Graxa sabão brilhantina
Mudaste a cor do salão De azul para verde marinho Do verde para um branquinho E enfim para um castanho um castanho mais clarinho… E ao fim de tanto trocares Baralhares e confundires Rebentaste-te evitando Evitando pelo menos Teres enfim de destruir Tudo o que creste ser branco Ser belo ser valioso Acabaste confundindo Acabaste confundindo Viver com reeducar-te
Passaste o tempo calcando O que podias ter sido tu Nu inteiro e pessoal Pois que assim afinal Foste um entre biliões Que com morte natural Tem uma cruz lega uns tostões Vê o seu nome no Jornal E cai podre numa cova Em funeral
Não te ficou nem um gesto Que não façam mais milhares Não te ficou nem um risco Um grito para espalhares Não te ficou nem uma sobra Uma intenção uma raiva Foste é caso pra dizer Parvo incapaz e castrado Rastejante e tão honrado Foste um escravo do dever Um pobre mais um na selva
"Estrela natureza precisamos demais De ter sempre por perto Na calma e santa paz Nos morros e nos campos No sol e no sereno Zelando por florestas Cuidando dos animais Mulher, e Mãe de todos O que será de nós Se a força do inimigo, Calar a tua voz Que sai dos passarinhos Dos mares e dos rios Dos vales preguiçosos Dos velhos pantanais."
A propósito da criminosas medidas ontem anunciadas pelo Governo PS, Almeida Santos declarou, na mais despudorada, desumana, e repugnante lata, que os sacrifícios não são insuportáveis. Não serão certamente para ele, que não sabe o que é ter de viver como os tais 628 euro mensais que o Governo que ele apoia acha que é suficiente para não dar abono de família. Não serão certamente para ele, que não ganha 500 euro mensais e certamente nunca gastou apenas isto nem por uma semana quanto mais num longo mês inteiro. Não serão certamente para ele que não sabe o que é ter de viver com menos de 500 euro por mês que não chega para alimentar os filhos durante o mês inteiro! Mas nem a idade desculpa Almeida Santos! As suas declarações apenas demonstram a sua maldade e desumanidade!
O ministro pau mandado dos bancos, Teixeira dos Santos, disse hoje que tomar as medidas que anunciou ontem o deixou a dormir mal antes de as tomar, mas que se não tomasse deixaria de dormir (isto porque se não as tomasse provavelmente Ricardo Salgado passaria a lhe ligar todas as noites, mas já é "há sempre alguém" a especular, porque isso o ministro não disse o motivo).
Mas presume-se que agora que anunciou as ditas medidas, o Sr. Ministro, Pau mandado dos bancos, passe a dormir como um anjinho depois de provocar noites de insónia a milhares e milhares de portugueses!
Ontem, pela hora de jantar, talvez com o objectivo de provocar uma indigestão a alguns portugueses, o primeiro-ministro José Sócrates e o Ministro, pau mandado da banca e dos grandes grupos económicos, Teixeira dos Santos, anunciaram ao país as suas medidas para resolver o problema de endividamento do país (leia-se da banca e dos grandes grupos económicos).
E anunciaram, tal qual dois cães de fila que são mandados sentar pelo dono, as medidas que a banca e os grandes grupos económicos os mandaram anunciar: - redução de salários (3,5 a 10%), aumento de impostos (2% no IVA e com a diminuição dos benefícios fiscais,mais alguma coisa no IRS), redução e anulação de apoios sociais a famílias mais desprotegidas, etc, etc. Pseudo-comentadores de economia pagos pelos bancos a peso de oiro, lá vêm dizendo como os chefes lhe mandam que isto tem de ser! a bem do país! que é necessário! e outras frases estudadas e repetidas até à exaustão para tentarem convencer os outros e talvez se convencerem a si próprios que é mesmo por isso e não para satisfazer a vontade de gula e avareza dos donos de bancos e grandes empresas para manterem os seus obscenos milhões de lucros mensais. As medidas concretas são um violento e nojento ataque aos trabalhadores, aqueles que mais dificuldades económicas têm. Chegam ao ponto, despudorado, desumano e mesmo criminoso de retirar o abono de família a que recebe 628,00 de salário (será que algum deles sabe o que é 628,00 para viver e alimentar os filhos durante um longo e penoso mês?????). Este é o maior e mais violento e mais criminosos ataque aos direitos dos trabalhadores e do povo português dos últimos séculos!!! O caminho não é este! Existe outro - um caminho de ruptura com estas políticas ao serviço dos grandes grupos económicos avarentos, gananciosos e criminosos! Está na hora de as pessoas dizerem já chegam!!!!!!!!!!!!! Não avançam mais!!!!!!!!!
"Caminhando e cantando E seguindo a canção Somos todos iguais Braços dados ou não Nas escolas, nas ruas Campos, construções Caminhando e cantando E seguindo a canção...
Vem, vamos embora Que esperar não é saber Quem sabe faz a hora Não espera acontecer...(2x)
Pelos campos há fome Em grandes plantações Pelas ruas marchando Indecisos cordões Ainda fazem da flor Seu mais forte refrão E acreditam nas flores Vencendo o canhão...
Vem, vamos embora Que esperar não é saber Quem sabe faz a hora Não espera acontecer...(2x)
Há soldados armados Amados ou não Quase todos perdidos De armas na mão Nos quartéis lhes ensinam Uma antiga lição: De morrer pela pátria E viver sem razão...
Vem, vamos embora Que esperar não é saber Quem sabe faz a hora Não espera acontecer...(2x)
Nas escolas, nas ruas Campos, construções Somos todos soldados Armados ou não Caminhando e cantando E seguindo a canção Somos todos iguais Braços dados ou não...
Os amores na mente As flores no chão A certeza na frente A história na mão Caminhando e cantando E seguindo a canção Aprendendo e ensinando Uma nova lição...
Vem, vamos embora Que esperar não é saber Quem sabe faz a hora Não espera acontecer...(4x)"
"(...) A uma distância confortável, poderia imaginar-se que as pessoas que vivem, ano após ano, com um salário de seis a dez dólares por hora descobriram um qualquer estratagema de sobrevivência desconhecido da classe média. Mas não. Não é difícil levar os meus colegas a falarem sobre as suas condições de vida, porque, em quase todos os casos, o problema da habitação é a principal fonte de perturbações das suas vidas, a primeira coisa de que falam quando chegam ao trabalho. Ao fim de uma semana, compilei já o seguinte:
A Gail partilha um quarto num albergue bem conhecido na Baixa por 250 dólares por semana. A pessoa com quem partilha o quarto, um amigo, começou a mexer-lhe com os nervos, a dar-lhe cabo do juízo, mas sozinha ela não poderia pagar a renda.
O Claude, o cozinheiro haitiano, está morto por sair do apartamento de duas assoalhadas que partilha com a namorada e duas outras pessoas estranhas. Ao que julgo, os outros homens haitianos vivem em situações sobrelotadas semelhantes.
A Annete, uma empregada de mesa de vinte anos que está grávida de seis meses e foi abandonada pelo namorado, vive com a mãe, que é empregada dos correios.
A Marianne, que serve os pequenos-almoços, e o namorado pagam 170 dólares por semana por uma caravana para uma só pessoa.
O Billy, que, a dez dólares à hora, é o mais rico de todos, vive numa caravana de que é proprietário, pagando somente 400 dólares por mês de estacionamento.
O outro cozinheiro branco, o Andy, vive no seu barco atracado numa doca seca, que, com base nas suas descrições enlevadas, julgo que não tenha mais de seis metros de comprimento. Convida-me para ir dar uma volta no barco logo que ele esteja consertado, mas o convite é acompanhado por perguntas quanto ao meu estado civil, pelo que não lhe dou seguimento.
A Tina, uma outra empregada de mesa, e o marido pagam 60 dólares por noite por um quarto na residencial Days Inn. Isto é porque não têm carro e a residencial fica relativamente perto do Hearthside. Quando a Marianne é expulsa da sua caravana por a subalugar (o que vai contra as regras do parque de caravanas), deixa o namorado e vai viver com a Tina e o marido.
A Joan, que me tinha enganado com as suas indumentárias numerosas e de bom gosto (as recepcionistas de restaurante vestem as suas próprias roupas), vive numa carrinha estacionada por detrás de um centro comercial à noite e lava-se no quarto de motel da Tina. As roupas são de lojas em segunda mão.(...)"
Excerto de "Salário de Pobreza, Como (não) sobreviver na América" de Barbara Ehrenreich
Hoje, perante a deslocação de uma frota de barcos de ajuda humanitária para ajudar o povo da faixa de Gaza, o Governo de Israel respondeu como sabe responder: Enviou comandos do exercito Israelita para fazerem o que sabem fazer, ou seja, dispararem, matarem, ferirem.
Resultado: pelo menos 19 mortos de organizações humanitárias, dezenas de feridos, possivelmente jornalistas entre os mortos e feridos (ainda não confirmado). Perante mais uma barbárie dos soldados a mando de um Governo de assassinos, a comunidade internacional reage com a hipocrisia habitual: condena o ataque, suspende os exercícios militares de colaboração com os militares do Governo assassino (como fez hoje hipocritamente a Grécia, que diz não ter dinheiro e rouba os salários ao seu povo mas para gastar milhares em operações militares com o Governo de Israel já existe dinheiro), ou com uma posição subserviente e ridícula como o Governo português que em comunicado pede um inquérito e "condena o uso excessivo de força contra alvos civis". Condena o uso excessivo de força contra alvos civis???? Os civis são alvo??? Existe uso de força contra civis que não seja excessivo??? Vergonhoso!
Já tinha sido anunciado, após a "dança do Tango" entre o par José Sócrates (PS) e Pedro Passos Coelho (PSD) e foi aprovado hoje, o plano de austeridade para Portugal e para os portugueses.
E o plano é ... mais do mesmo! Sacrifícios para os mesmos de sempre!
Bem pode Pedro Passos Coelho pedir desculpa aos portugueses! Mas depois do mal feito o pedido de desculpas apenas mostra a hipocrisia o cinismo e a falsa moral que o caracteriza. O aumento de 1% de impostos sobre o trabalho e sobre o consumo não têm o objectivo de resolver nenhum problema do país! Até porque não é necessário saber nada de economia, basta saber fazer contas, para perceber que, se aumenta o IVA em 1% sobre a venda de bens e se aumenta 1% o IRS, fazendo na prática reduzir os salários, então o consumo diminuirá o que leva a uma necessidade de redução da produção que leva ao aumento de desemprego que leva à recessão da economia. Dizem, Sócrates e Passos Coelho, acompanhados em coro por comentadores que nunca se auto-questionam e apenas repetem como papagaios o que ouviram dizer: que os mercados internacionais nos exigem essas medidas. Mas quem são os mercados internacionais??? São pessoas??? Falam??? Têm estômago para alimentar??? Têm filhos para criar??? Ou os mercados internacionais não são mais do locais onde os especuladores sem escrúpulos especulam sobre todo aquilo de que se lembram??? Especuladores esses que vêm depois dizer: aumentem os impostos (impostos que eles não pagam porque fogem com o seu dinheiro para off-shores), baixem os salários (salários de que eles não precisam para viver porque vivem do dinheiro que fazem com especulações) e reduzam o défice com esse dinheiro que poupam (ou seja paguem-nos o que vos emprestámos com juros mais altos que decidimos aumentar porque queremos mais uns quantos milhões, e se tomarem essas medidas conseguem dar-nos esses milhões ou seja tirem aos pobres e deêm-nos a nós ricos). E Sócrates e Passos Coelho fazem o que lhes mandam, dançam o tango, conta-nos umas "tangas" e tentam arrancar a tanga aos que já mais nada lhes resta! Saberão estes senhores o que é ter de viver com 475 euro por mês, ou mesmo 500? Sabem quanto é uma renda de casa? Alguma vez se dão ao trabalho de pensar e fazer um pouco de contas, não de macro-economia, mas de economia familiar? Imaginam o que é um casal com 1000 euros de rendimento que paga rendas próximas dos 500 com dois filhos a dividir 500 euro por 4? pouco mais de cem euro para alimentar, vestir, pagar escolas e colégios, água, luz e telefone? Farão ideia de que estas pessoas já não têm onde cortar e ainda lhes propõem tirar mais 1% no rendimento??? Não acham que já chega!!! Porque não tiram aos bancos??? Que medidas tomaram face aos bancos terem aumentado os seus lucros e terem pago menos imposto??? Nenhuma!!!! Nem querem tomar que não é para isso que lá estão! Querem é alterar ainda para pior a distribuição da riqueza, tirar todos os centimos que possam a quem tem de sobreviver com 4 ou 5 euro por dia para aqueles que fazem milhões de lucro por hora ainda possam fazer mais. Já chega de pouca vergonha, já chega de roubo, já chega de imoralidade na distribuição da riqueza. As vitimas da fome acabarão por se erguer...
"(...) Aparentemente passo o teste com distinção, porque me dizem que agora só tenho é que me apresentar num consultório médico no dia seguinte para fazer um exame à urina. Parece ser regra geral: quem quer empilhar pacotes de Cheerios ou aspirar quartos de hotel na América quimicamente fascista tem de se dispor a fazer chichi em frente a uma trabalhadora da saúde (que sem dúvida, teve ela própria de fazer o mesmo). (...)" Excerto de "Salário de Pobreza - Como (não) sobreviver na América" de Barbara Ehrenreich
"Pai! Afasta de mim esse cálice Pai! Afasta de mim esse cálice Pai! Afasta de mim esse cálice De vinho tinto de sangue...(2x)
Como beber Dessa bebida amarga Tragar a dor Engolir a labuta Mesmo calada a boca Resta o peito Silêncio na cidade Não se escuta De que me vale Ser filho da santa Melhor seria Ser filho da outra Outra realidade Menos morta Tanta mentira Tanta força bruta...
Pai! Afasta de mim esse cálice Pai! Afasta de mim esse cálice Pai! Afasta de mim esse cálice De vinho tinto de sangue...
Como é difícil Acordar calado Se na calada da noite Eu me dano Quero lançar Um grito desumano Que é uma maneira De ser escutado Esse silêncio todo Me atordoa Atordoado Eu permaneço atento Na arquibancada Prá a qualquer momento Ver emergir O monstro da lagoa...
Pai! Afasta de mim esse cálice Pai! Afasta de mim esse cálice Pai! Afasta de mim esse cálice De vinho tinto de sangue...
De muito gorda A porca já não anda (Cálice!) De muito usada A faca já não corta Como é difícil Pai, abrir a porta (Cálice!) Essa palavra Presa na garganta Esse pileque Homérico no mundo De que adianta Ter boa vontade Mesmo calado o peito Resta a cuca Dos bêbados Do centro da cidade...
Pai! Afasta de mim esse cálice Pai! Afasta de mim esse cálice Pai! Afasta de mim esse cálice De vinho tinto de sangue...
Talvez o mundo Não seja pequeno (Cálice!) Nem seja a vida Um fato consumado (Cálice!) Quero inventar O meu próprio pecado (Cálice!) Quero morrer Do meu próprio veneno (Pai! Cálice!) Quero perder de vez Tua cabeça (Cálice!) Minha cabeça Perder teu juízo (Cálice!) Quero cheirar fumaça De óleo diesel (Cálice!) Me embriagar Até que alguém me esqueça (Cálice!)"
Chico Buarque e Gilberto Gil (composição) com participação de Milton Nascimento
O Presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), José António Barros, defendeu ontem segundo notícia veiculada pelo Global Notícias, que o subsidío de Natal e de Férias deveria, pelo menos em parte, ser pago sob a forma de títulos da dívida pública. Segundo o senhor porque o problema nacional é o excesso de consumo???? E segundo o senhor, como somos uns gastadores, só poupamos metade do que poupam os espanhóis! Como tal, o senhor e a associação a que preside quer ensinar o povo a poupar! Não diz, o senhor empresário, que os salários que os empresários pagam ao povo, são metade do que se paga em Espanha (talvez venha daí o pouparmos metade do que poupam os espanhóis). Não diz o senhor empresário que a dívida pública não foi o povo que o contraiu, mas sim é o resultado do desmando dos empresários. Não propõem o senhor empresário que as grandes empresas abdiquem dos seus lucros de milhões e contraiam títulos da dívida! E acrescenta com um tom clerical " se for explicado, as pessoas vão entender que ninguém lhes tirou um tostão, porque a dívida pública é dívida soberana, garantida, e ainda por cima têm um rendimento" Não diz, nem quer saber, que uma parte significativa do povo, precisa desse dinheiro para comprar pão. Não diz e nem quer saber que os títulos da divida não alimentam estômagos vazios. E não diz, porque quer que seja o povo a pagar o desastre do que ele e os seus consócios têm causado ao país, nem que para isso passem fome, mas isso não lhe interessa. Vomita as soluções que melhor lhe convêm para manter a sua grosseira opulência.