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quinta-feira, 3 de junho de 2010

Sonho Americano ou Pesadelo de um povo?

"(...) A uma distância confortável, poderia imaginar-se que as pessoas que vivem, ano após ano, com um salário de seis a dez dólares por hora descobriram um qualquer estratagema de sobrevivência desconhecido da classe média. Mas não. Não é difícil levar os meus colegas a falarem sobre as suas condições de vida, porque, em quase todos os casos, o problema da habitação é a principal fonte de perturbações das suas vidas, a primeira coisa de que falam quando chegam ao trabalho. Ao fim de uma semana, compilei já o seguinte:

A Gail partilha um quarto num albergue bem conhecido na Baixa por 250 dólares por semana. A pessoa com quem partilha o quarto, um amigo, começou a mexer-lhe com os nervos, a dar-lhe cabo do juízo, mas sozinha ela não poderia pagar a renda.

O Claude, o cozinheiro haitiano, está morto por sair do apartamento de duas assoalhadas que partilha com a namorada e duas outras pessoas estranhas. Ao que julgo, os outros homens haitianos vivem em situações sobrelotadas semelhantes.

A Annete, uma empregada de mesa de vinte anos que está grávida de seis meses e foi abandonada pelo namorado, vive com a mãe, que é empregada dos correios.

A Marianne, que serve os pequenos-almoços, e o namorado pagam 170 dólares por semana por uma caravana para uma só pessoa.

O Billy, que, a dez dólares à hora, é o mais rico de todos, vive numa caravana de que é proprietário, pagando somente 400 dólares por mês de estacionamento.

O outro cozinheiro branco, o Andy, vive no seu barco atracado numa doca seca, que, com base nas suas descrições enlevadas, julgo que não tenha mais de seis metros de comprimento. Convida-me para ir dar uma volta no barco logo que ele esteja consertado, mas o convite é acompanhado por perguntas quanto ao meu estado civil, pelo que não lhe dou seguimento.

A Tina, uma outra empregada de mesa, e o marido pagam 60 dólares por noite por um quarto na residencial Days Inn. Isto é porque não têm carro e a residencial fica relativamente perto do Hearthside. Quando a Marianne é expulsa da sua caravana por a subalugar (o que vai contra as regras do parque de caravanas), deixa o namorado e vai viver com a Tina e o marido.

A Joan, que me tinha enganado com as suas indumentárias numerosas e de bom gosto (as recepcionistas de restaurante vestem as suas próprias roupas), vive numa carrinha estacionada por detrás de um centro comercial à noite e lava-se no quarto de motel da Tina. As roupas são de lojas em segunda mão.(...)"

Excerto de "Salário de Pobreza, Como (não) sobreviver na América" de Barbara Ehrenreich

quinta-feira, 13 de maio de 2010

América Quimicamente Fascista

"(...) Aparentemente passo o teste com distinção, porque me dizem que agora só tenho é que me apresentar num consultório médico no dia seguinte para fazer um exame à urina. Parece ser regra geral: quem quer empilhar pacotes de Cheerios ou aspirar quartos de hotel na América quimicamente fascista tem de se dispor a fazer chichi em frente a uma trabalhadora da saúde (que sem dúvida, teve ela própria de fazer o mesmo). (...)"
Excerto de "Salário de Pobreza - Como (não) sobreviver na América" de Barbara Ehrenreich

quinta-feira, 11 de março de 2010

A Colombia, o regime assassino de Uribe e a conivência das Multinacionais

A Colômbia é um país onde continuamente se praticam grosseiras violações dos direitos humanos com a conivência dos países ocidentais e de empresas multinacionais sedentas de sugar até ao tutano os povos para acumularem lucros.
Todos os que critiquem, reivindiquem, se oponham ao regime fascista do Governo de Uribe, e às suas milícias para-militares constituídas por bandos de criminosos e assassinos profissionais, milícias essas muitas vezes ao serviço de empresas multinacionais, correm o risco de serem mortos. Sejam membros de partidos, sindicalistas ou simples cidadãos descontentes são alvos a abater seja com a conivência e silêncio dos Governos dos países ocidentais em especial dos EUA e das multinacionais, seja com a participação dissimulada, mas activa, das mesmas multinacionais.
Ainda assim, existe quem vença o medo, muitos deles acabando por pagar com a vida por essa coragem.
Aqui fica apenas o caso dos sindicalistas colombianos mortos no Ano de 2009, com a data e os sindicatos a que pertenciam.
No dia 1 de Janeiro de 2009 é morto Tique Adolfo em Prado - Tolima, do Sintragritol,
dia 7 de Janeiro de 2009 é morto Rasedo Guerra Diego Ricardo em Sabana de Torres - Santander, do Fensuagro,
16 de Janeiro de 2009 é morto Samboni Guaca Arled em Argelia-Cauca, do Fensuagro,
a 28 de Janeiro de 2009 é morto Mejía Leovigildo em Sabana de Torres - Santander, também do Fensuagro,
a 12 de Fevereiro é morto Arango Crespo Luis Alberto em Barrancabermeja - Santander, do Asopesam
a 15 de Fevereiro Ramírez Ramírez Guillermo Antonio é morto em Belén de Umbria - Risaralda, do Ser
a 24 de Março são mortos Amado Castillo Jose Alejandro e Pinto Gómez Alexander, em Girón - Santander, do Aseinpec; Cuadros Roballo Ramiro em Tuluá - Valle, do Sutev,
a 27 de Março é morto Carreño Armando em Arauquita - Arauca do Uso;
a 4 de Abril é morto Polo Barrera Hernán em Montería - Cordoba, do Sintrenal
a 16 de Abril é morto Aguirre Aguirre Frank Mauricio em Itagüí - Antioquia, do Asempi
a 22 de Abril são mortos Franco Franco Víctor em Villamaría - Caldas, do Educal e Martínez Edgar em San Pablo - Bolívar, do Fedeagromisbol
a 24 de Abril é morto Blanco Leguizamón Milton em Tame - Arauca, do Asedar
a 9 de Maio são mortos Cárcamo Blanco Vilma em Magangue - Bolívar, do Anthoc e Julio Ramos Rigoberto em Moñitos - Córdoba, do Ademacor.
a 15 de Maio é morto Cárdenas Hebert Sony em Barrancabermeja - Santander, da Fesamin
a 9 de Junho é morto Rodríguez Garavito Pablo em Puerto Rondón - Arauca, da Asedar
a 11 de Junho é morto Echeverri Garro Jorge Humberto em Puerto Rondón - Arauca, da Asedar
a 29 de Junho é morto Sepúlveda Lara Rafael Antonio em Cúcuta - Norte de Santander, da Anthoc
a 25 de Julho é morto González Herrera Herber em Sabana de Torres - Santander, da Fensuagro
a 11 de Agosto é morto Cobo Diego em San Andrés de Sotaviento - Córdoba, da Ademacor
a 21 de Agosto é morto Gómez Gustavo em Dos Quebradas - Risaralda, da Sinaltrainal (Sindicato que tem denunciado a prática da empresa Coca-Cola sobre despedimentos em massa para contratar trabalhadores com vinculo precário de forma a fugir ao pagamento à segurança social)
a 22 de Agosto é morto Díaz Ortíz Fredy em Valledupar - Cesár, da Aseinpec
a 23 de Agosto é morto Carrasquilla Abel em Sabana de Torres - Santander, Asogras
a 11 de Setembro é morto Suárez Suescún Oscar Eduardo em Cúcuta - Norte de Santander, da Asinort
a 9 de Outubro é morto Rojas Zuly em Saravena-Arauca, da Sindess
a 17 de Outubro é morto Llorente Meléndez Honorio em Puerto Wilches - Santander, da Sintrainagro (Sindicato que tem lutado por aumentos salariais que as multinacionais de produção de banana não querem pagar)
a 27 de Outubro é morto Cantero Ceballos Rafael Antonio em Lorica - Córdoba, da Ademacor
a 29 de Outubro é morto Montes Palencia Ramiro Israel em Montelíbano - Córdoba, da Ademacor
a 1 de Novembro são mortos Sánchez Fabio e Suárez Paulo em Saravena - Arauca, da Fensuagro
a 5 de Novembro é morto Medina Díaz Raúl em Arauquita - Arauca, da Fensuagro
a 12 de Novembro é morto Herrera Apolinar em Arauquita - Arauca, da Fensuagro
a 13 de Novembro é morto Cortés López Zoraida em Pereira - Risaralda, da Ser
a 27 de Novembro é morto Jaimes Pabón Alberto em Saravena - Arauca, da Fensuagro

Esta é prática assassina do regime fascista de Uribe ao serviço das multinacionais.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Barack Obama e o prémio Nobel da Guerra em nome da Paz

Hoje recebeu o prémio Nobel da Paz, Barack Obama, Presidente dos EUA, na declaração que fez no momento de receber o prémio disse qualquer coisa parecida com: às vezes é preciso fazer a guerra para conseguir a Paz.
Há uns anos atrás outro Nobel da Paz, Mahatma Gadhi, disse "Não existe um caminho para a Paz, a Paz é o caminho!"
A diferença entre os dois é clara! As declarações de Obama são bélicas, enquanto as de Gandhi são de um pacifista.
As declarações de Obama terão agradado aos lobbies da indústria de armamento.
O academia do Nobel ou alterou os critérios de atribuição do prémio Nobel da Paz ou prepara-se para mudar o nome do prémio para prémio Nobel da Guerra em nome da Paz!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Atentados em Nova Iorque 8 anos depois - mortos que interessam e mortos que não interessam

Passam hoje oito anos dos atentados a Nova Iorque. Oito anos passados nos noticiários de cá fala-se da data, mostra-se reportagens, ouve-se opinões, convocam-se analistas para falar do assunto.
Hoje dia 11 de Setembro de 2009 terão morrido perto de 7 mil pessoas, directa ou indirectamente, de fome em todo o mundo. Hoje dia 11 de Setembro de 2009 nem uma notícia sobre a morte de pessoas de fome.

Hoje dia 11 de Setembro de 2009, como em todos os outros dias, a comunicação social faz a distinção entre uns seres humanos e outros. Os quase 3 mil que morreram no Old Trade Center são lembrados, os quase 7 mil que morrem todos os dias são esquecidos e apagados para que ninguém se lembre do mundo injusto em que vivemos.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Revolta em Prisão da Califórnia: Muitas preguntas ficam!

A revolta dos presos na prisão de Chino, no estado da Califórnia, Estados Unidos da América, deixa-me muitas perguntas: O que leva a maioria dos presos, segundo declarações de um policia, a uma revolta que destrói por completo um edifício da prisão sabendo que não podem sair do local que incendeiam? Estaremos a falar de pessoas todas com instintos suicidas? Como é possível que dos 80 polícias envolvidos na acção de controlo da revolta nenhum tenha saído ferido e 250 presos tenham ficado feridos, dos quais, 55 se encontrem em estado grave com traumatismos cranianos? Um incêndio pode provocar traumatismos cranianos?
Sem dados para aprofundar a resposta fica-me a sensação que para a maioria dos presos de um estabelecimento prisional iniciarem uma revolta deste calibre é porque algo de grave no seu tratamento lá ocorre.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

A CIA, as ordens para matar e a tortura

Revelados hoje os planos da CIA para assassinar (eliminar) eventuais lideres da Alqaeda. Sem provas, sem julgamento, sem defesa. Bastava a suspeita e vai de matar! As ordens foram dadas por o ex-secretário de estado (Dick Cheney) com conhecimento do ex-presidente (George W. Bush).
Ficou-se também a saber que foram dadas ordens claras para a prática de tortura sobre os prisioneiros!
Serão julgados e condenados os autores destas práticas terroristas? No Tribunal Penal Internacional? Não, não serão! Porque o tribunal apenas foi criado para julgar os inimigos (terroristas ou não) destes terroristas ao serviço do "bem maior" da "nossa (deles) maneira de viver". Enriquecer à custa da fome e miséria de milhões de pessoas nos chamados países do terceiro mundo.
É esta a criminosa prática do capitalismo.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Testes nucleares da Coreia do Norte e a Hipócrisia Mundial

A comunidade internacional, (mundo ocidental), está em choque por a Coreia do norte ter realizado um teste nuclear de potência igual a Hiroshima. Dizer, desde já, que considero criminoso qualquer experiência nuclear por considerar que o homem não deve realizar nada que possa pôr em causa as gerações futuras, e qualquer acidente nuclear pode provocar a impossibilidade da vida humana (e não só) por muitas décadas. Mas não aceito, também, a hipocrisia! Onde estava, a Europa, quando a França fez testes nucleares no seu atol no pacífico com uma potência dezenas de vezes superior à bomba de Hiroshima? O que disse Durão Barroso na altura? Porque ficaram todos calados ou a dizer que era um problema interno da França? Onde estava Barack Obama quando os EUA fizeram dezenas de testes nucleares? Porque não ficou indignado?
Para poderem criticar, outros, deêm o exemplo! França, Inglaterra, EUA que comecem a desmantelar o seu arsenal nuclear e depois falem dos outros, porque enquanto não o fizerem nada poderá esconder que são os detentores da possibilidade de destruição da vida na terra! Basta de hipócritas!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

O cão do nosso orgulho ou a vergonha da nossa mediocridade

Foi ontem a ver o noticiário da TVI, passe a publicidade, que me apercebi de um acontecimento, que, para a TVI, era extraordinário, digno de notícia... E o grande acontecimento era: O fim da crise? Não!!! A diminuição do desemprego? Não!!! A melhoria das condições de vida dos portugueses? Não!!!... Era... A grande decisão... Do Obama, presidente dos Estados Unidos... E qual foi a decisão? Aumento geral dos salários para os trabalhadores americanos? Não!!!... A grande decisão foi... tarararararara... Batam os tambores!!!!.... tararara. Obama decidiu qual vai ser.... tarararara.... O cão da casa branca!!!! Isso mesmo... o cão da casa branca!!!!

E facto, de Obama escolher o canídeo, que presumo não ser portador de pulgas, deixou os jornalistas portugueses em pulgas, não as parasitas, mas as psicológicas, aquelas que deixam as pessoas inquietas!

O que animou e excitou os jornalistas é o facto de o canídeo ser de raça portuguesa! Magnífico motivo de orgulho nacional ter um cão na casa branca! Poderá o cão usar dos seus contactos para resolver os problemas do nosso país? Só um jornalismo medíocre acredita nisso! Mas é o que temos!

quinta-feira, 26 de março de 2009

Sobre a crise do Capitalismo

"(...)Hoje em dia, no Século XXI, 800 milhões de pessoas vivem com fome, 200 milhões de crianças vivem em condições de miséria extrema e 115 milhões de crianças não frequentam qualquer escola. As dívidas de África ascendem a 230 mil milhões de dólares! As dívidas da Ásia, África e América Latina estão a criar pobreza, exploração e dependência política e militar. Nenhum outro país poderoso seguiu o exemplo da República Popular da China que cancelou dívidas de países africanos no valor de 3 mil e 200 milhões de dólares. (...)

(...) Esta é a imagem real da globalização que vivemos em todos os continentes. E hoje a situação está a piorar. A comunidade internacional vive as consequências da crise capitalista que atingiu os Estados Unidos e que atinge os países da União Europeia e de todo o mundo capitalista. Os números são assustadores e falam por si mesmos. Apenas num mês, 380 mil trabalhadores e desempregados dos Estados Unidos ficaram sem as suas casas por não poderem pagar os empréstimos que tinham pedido aos bancos. Calcula-se que, em 2009, 750 bancos e companhias seguradoras vão encerrar nos Estados Unidos. A indústria automóvel e metalúrgica está em colapso. Confrontados com esta situação os EUA e a União Europeia decidiram destinar a quantia de 7 mil milhões de euros para a “salvação” tal como eles lhe chamam, dos bancos e do sistema. Por outras palavras, para salvar os culpados, dão-lhes fundos públicos que deveriam destinar-se a necessidades sociais urgentes, melhores salários e melhores condições de vida para os mais necessitados. Os governos recebem dinheiro dos impostos à custa da população e oferecem-no à indústria automóvel e aos bancos. Isto confirma que em períodos de crise o capital se torna ainda mais agressivo.(...)

(...)Em 1847 Karl Marx falou e escreveu sobre as crises do sistema capitalista. Sublinhou que são inevitáveis, cíclicas e repetitivas. Enquanto a riqueza se concentrar nas mãos de uns poucos e a pobreza for para a maioria, as crises serão mais profundas e duras!(...)"

George Mavrikos, Secretário-Geral da FSM (Federação Sindical Mundial) – Excerto do discurso no Simpósio Sindical Internacional 15 e 16 de Dezembro de 2008 em Lisboa.


Pintura "A Criança Morta" de Cândido Portinari

segunda-feira, 16 de março de 2009

Ladrões dentro da lei ou a Lei dos Ladrões

Continuam a ser divulgadas notícias todos os dias que acrescentam escândalo ao escândalo na origem da crise, que uns dizem ser económica para não reconhecerem tratar-se apenas da confirmação da falência do sistema e que as medidas e políticas que sempre defenderam levam exactamente a isto que agora definem como escândalo e que se dizem “enojados” como disse o presidente da Reserva Federal Norte- Americana.

Isto a propósito de mais um saque aos dinheiros públicos Norte-Americanos, que são originários dos impostos dos trabalhadores daquele País (convém lembrar), para financiar a AIG de forma a esta conseguir pagar os bónus a cada um dos administradores no valor de 126.000.000,00€ (126 milhões de euro). Estes bónus definidos pelos administradores e que visam premiar o facto de os próprios terem levado a empresa à falência (só salva pelos milhões que a Reserva Federal injectou na empresa). Os responsáveis políticos da Reserva Federal e da Casa Branca dizem que têm de pagar senão as futuras indemnizações serão bem piores!

Isto deixa-me algumas perguntas que não são respondidas nas noticias da comunicação social nem tanto quanto eu saiba pelos responsáveis agora enojados e que são:

Quem fez a legislação que permite que administradores se bonifiquem a eles próprios?

Quem não criou mecanismos que possibilitem a tomada de medidas por parte dos poderes públicos que impeçam este saque?

Quem legislou no sentido de dar às seguradoras os fundos de pensões ao invés de ter um sistema de segurança social público (com o argumento que o Estado não consegue financiar a segurança social, afinal consegue sacar milhões aos contribuintes para pagar os desmandos e os saques destes senhores)?

A resposta é simples: foram os responsáveis políticos da Reserva Federal e da Casa Branca que agora se dizem enojados!!! Mas, apesar de estarem enojados (irão tomar um remédio para o estomago e ficarão certamente melhores e prontos para beber mais um whisky enquanto argumentam sobre “as maravilhas” do sistema).

domingo, 8 de março de 2009

Dia internacional da Mulher

Neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas e a discriminação nos salários. Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas. Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher"

terça-feira, 23 de setembro de 2008

"Carta aberta a Bush"

"Sou um escritor de uma nação pobre, um paí­s que já esteve na vossa lista negra. Milhões de moçambicanos desconheciam que mal vos tí­nhamos feito.

Éramos pequenos e pobres: que ameaça poderí­amos constituir ? A nossa arma de destruição massiva estava, afinal, virada contra nós: era a fome e a miséria.

Alguns de nós estranharam o critério que levava a que o nosso nome fosse manchado enquanto outras nações beneficiavam da vossa simpatia. Por exemplo, o nosso vizinho - a África do Sul do "apartheid" - violava de forma flagrante os direitos humanos. Durante décadas fomos ví­timas da agressão desse regime. Mas o regime do "apartheid" mereceu da vossa parte uma atitude mais branda: o chamado "envolvimento positivo". O ANC esteve também na lista negra como uma "organização terrorista!". Estranho critério que levaria a que, anos mais tarde, os taliban e o próprio Bin Laden fossem chamadas de "freedom fighters" por estrategas norte-americanos.

Pois eu, pobre escritor de um pobre paí­s, tive um sonho. Como Martin Luther King certa vez sonhou que a América era uma nação de todos os americanos. Pois sonhei que eu era não só um homem mas um paí­s. Sim, um paí­s que não conseguia dormir. Porque vivia sobressaltado por terríveis factos. E esse temor fez com que proclamasse uma exigência. Uma exigência que tinha a ver consigo, Caro Presidente. E eu exigia que os Estados Unidos da América procedessem á eliminação do seu armamento de destruição massiva. Por razâo desses terrí­veis perigos eu exigia mais: que inspectores das Nações Unidas fossem enviados para o vosso paí­s. Que terrí­veis perigos me alertavam? Que receios o vosso país me inspiravam? Não eram produtos de sonho, infelizmente.

Eram factos que alimentavam a minha desconfiança. A lista é
tão grande que escolherei apenas alguns:

- Os Estados Unidos foram a única nação do mundo que lançou bombas atómicas sobre outras nações;

- O seu país foi a única nação a ser condenada por "uso ilegí­timo da força" pelo Tribunal Internacional de Justiça;

- Forças americanas treinaram e armaram fundamentalistas islâmicos mais extremistas (incluindo o terrorista Bin Laden) a pretexto de derrubarem os invasores russos no Afeganistão;

- O regime de Saddam Hussein foi apoiado pelos EUA enquanto praticava as piores atrocidades contra os iraquianos (incluindo o gaseamento dos curdos em 1998);

- Como tantos outros dirigentes legí­timos, o africano Patrice Lumumba foi assassinado com ajuda da CIA. Depois de preso e torturado e baleado na cabeça o seu corpo foi dissolvido em ácido clorí­dico;

- Como tantos outros fantoches, Mobutu Seseseko foi por vossos agentes conduzido ao poder e concedeu facilidades especiais á espionagem americana:

o quartel-general da CIA no Zaire tornou-se o maior em África. A ditadura brutal deste zairense não mereceu nenhum reparo dos EUA até que ele deixou de ser conveniente, em 1992;

- A invasão de Timor Leste pelos militares indonésios mereceu o apoio dos EUA. Quando as atrocidades foram conhecidas, a resposta da Administração Clinton foi "o assunto é da responsabilidade do governo indonésio e não queremos retirar-lhe essa responsabilidade";

- O vosso paí­s albergou criminosos como Emmanuel Constant um dos lí­deres mais sanguinários do Taiti cujas forças para-militares massacraram milhares de inocentes. Constant foi julgado á revelia e as novas autoridades solicitaram a sua extradição. O governo americano recusou o pedido.

- Em Agosto de 1998, a força aérea dos EUA bombardeou no Sudão uma fábrica de medicamentos, designada Al-Shifa. Um engano? Não, tratava-se de uma retaliação dos atentados bombistas de Nairobi e Dar-es-Saalam.

- Em Dezembro de 1987, os Estados Unidos foi o único paí­s (junto com Israel) a votar contra uma moção de condenação ao terrorismo internacional. Mesmo assim, a moção foi aprovada pelo voto de cento e cinquenta e três países.

- Em 1953, a CIA ajudou a preparar o golpe de Estado contra o Irão na sequência do qual milhares de comunistas do Tudeh foram massacrados. A lista de golpes preparados pela CIA é bem longa.

- Desde a Segunda Guerra Mundial, os EUA bombardearam: a China (1945-46), a Coreia e a China (1950-53), a Guatemala (1954), a Indonésia (1958), Cuba (1959-1961), a Guatemala (1960), o Congo (1964), o Peru (1965), o Laos (1961-1973), o Vietname (1961-1973), o Camboja (1969-1970), a Guatemala (1967-1973), Granada (1983), Lì­bano (1983-1984), a Lí­bia (1986), Salvador (1980), a Nicará¡gua (1980), o Irão (1987), o Panamá (1989), o Iraque (1990-2001), o Kuwait (1991), a Somália (1993), a Bósnia (1994-95), o Sudão (1998), o Afeganistão (1998), a Jugoslávia (1999)

- Acções de terrorismo biológico e quí­mico foram postas em prática pelos EUA: o agente laranja e os desfolhantes no Vietname, o vírus da peste contra Cuba que durante anos devastou a produção suí­na naquele país.

- O Wall Street Journal publicou um relatório que anunciava que 500,000 crianças vietnamitas nasceram deformadas em consequência da guerra quí­mica das forças norte-americanas.

Acordei do pesadelo do sono para o pesadelo da realidade. A guerra que o Senhor Presidente teimou em iniciar poderá libertar-nos de um ditador. Mas ficaremos todos mais pobres. Enfrentaremos maiores dificuldades nas nossas já precárias economias e teremos menos esperança num futuro governado pela razão e pela moral. Teremos menos fé na força reguladora das Nações Unidas e das convenções do direito internacional. Estaremos, enfim, mais sós e mais desamparados.

Senhor Presidente:

O Iraque não éSaddam. São 22 milhões de mães e filhos, e de homens que trabalham e sonham como fazem os comuns norte-americanos. Preocupamo-nos com os males do regime de Saddam Hussein que são reais. Mas esquece-se os horrores da primeira guerra do Golfo em que perderam a vida mais de 150 000 homens.

O que está destruindo massivamente os iraquianos não são as armas de Saddam. São as sanções que conduziram a uma situação humanitária tão grave que dois coordenadores para ajuda das Nações Unidas (Dennis Halliday e Hans Von Sponeck) pediram a demissão em protesto contra essas mesmas sanções.

Explicando a razão da sua renúncia, Halliday escreveu: "Estamos destruindo toda uma sociedade. é tão simples e terrível como isso. E isso é ilegal e imoral". Esse sistema de sanções já levou á morte meio milhão de crianças iraquianas.

Mas a guerra contra o Iraque não está para começar. Já começou há muito tempo. Nas zonas de restrição aérea a Norte e Sul do Iraque acontecem continuamente bombardeamentos desde há 12 anos. Acredita-se que 500 iraquianos foram mortos desde 1999. O bombardeamento incluiu o uso massivo de urânio empobrecido (300 toneladas, ou seja 30 vezes mais do que o usado no Kosovo)

Livrar-nos-emos de Saddam. Mas continuaremos prisioneiros da lógica da guerra e da arrogância. Não quero que os meus filhos (nem os seus) vivam dominados pelo fantasma do medo. E que pensem que, para viverem tranquilos, precisam de construir uma fortaleza. E que só estarão seguros quando se tiver que gastar fortunas em armas. Como o seu país que despende 270 000 000 000 000 dólares (duzentos e setenta biliões de dólares) por ano para manter o arsenal de guerra. O senhor bem sabe o que essa soma poderia ajudar a mudar o destino miserável de milhões de seres.

O bispo americano Monsenhor Robert Bowan escreveu- lhe no final do ano passado uma carta intitulada "Porque é que o mundo odeia os EUA ?" O bispo da Igreja Católica da Florida é um ex--combatente na guerra do Vietname. Ele sabe o que é a guerra e escreveu: "O senhor reclama que os EUA são alvo do terrorismo porque defendemos a democracia, a liberdade e os direitos humanos. Que absurdo, Sr. Presidente ! Somos alvos dos terroristas porque, na maior parte do mundo, o nosso governo defendeu a ditadura, a escravidão e a exploração humana.

Somos alvos dos terroristas porque somos odiados. E somos odiados porque o nosso governo fez coisas odiosas. Em quantos países agentes do nosso governo depuseram lí­deres popularmente eleitos substituindo-os por ditadores militares, fantoches desejosos de vender o seu próprio povo às corporações norte-americanas multinacionais ? E o bispo conclui: O povo do Canadá desfruta de democracia, de liberdade e de direitos humanos, assim como o povo da Noruega e da Suécia. Alguma vez o senhor ouviu falar de ataques a embaixadas canadianas, norueguesas ou suecas? Nós somos odiados não porque praticamos a democracia, a liberdade ou os direitos humanos.

Somos odiados porque o nosso governo nega essas coisas aos povos dos paí­ses do Terceiro Mundo, cujos recursos são cobiçados pelas nossas multinacionais."

Senhor Presidente:

Sua Excelência parece não necessitar que uma instituição internacional legitime o seu direito de intervenção militar. Ao menos que possamos nós encontrar moral e verdade na sua argumentação. Eu e mais milhões de cidadãos não ficamos convencidos quando o vimos justificar a guerra. Nós preferíamos vê- lo assinar a Convenção de Kyoto para conter o efeito de estufa.

Preferí­amos tê-lo visto em Durban na Conferência Internacional contra o Racismo.

Não se preocupe, senhor Presidente. A nós, nações pequenas deste mundo, não nos passa pela cabeça exigir a vossa demissâo por causa desse apoio que as vossas sucessivas administrações concederam apoio a não menos sucessivos ditadores. A maior ameaça que pesa sobre a América não são armamentos de outros. É o universo de mentira que se criou em redor dos vossos cidadãos. O perigo não é o regime de Saddam, nem nenhum outro regime. Mas o sentimento de superioridade que parece animar o seu governo. O seu inimigo principal não está fora. Está dentro dos EUA. Essa guerra sá pode ser vencida pelos próprios americanos.

Eu gostaria de poder festejar o derrube de Saddam Hussein. E festejar com todos os americanos. Mas sem hipocrisia, sem argumentação e consumo de diminuídos mentais. Porque nós, caro Presidente Bush, nós, os povos dos países pequenos, temos uma arma de construção massiva: a capacidade de pensar."

Carta aberta a George Bush, escrita por Mia Couto, semanas antes do inicio da Guerra do Iraque
convêm relembrá-la alguns anos e centenas de milhares de mortos depois!


segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Música sobre George Bush












Vale a pena ver esta impressionante e acertada música (Dear Mr. President) de Pink sobre o arrogante e ignorante Presidente dos EUA.

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terça-feira, 15 de julho de 2008

Lixo jornalístico

João Pereira Coutinho, escreve num dos seus artigos de opinião da Revista única, sobre as FARC e o posicionamento do PCP face ás FARC.
O artigo é exemplar pela sua dualidade, seguidismo e incapacidade crítica o que não é de estranhar, é para isso que lhe pagam e como bom "cão-de-fila" ele lá vai escrevendo aquilo que agrada aos chefes.
Seria pedir muito a João Pereira Coutinho que disse-se que Uribe não só "pretende exterminar" os "terroristas" mas também os sindicalistas e todos os que se lhe opõem e que tem conseguido "dizimar" muitos dos que ousam criticá-lo.
Seria pedir muito a João Pereira Coutinho que relata-se a mortandade causada, entre as populações da Colombia, pelos para-militares de extrema direita, financiados por Uribe e por multinacionais norte-americanas (como uma investigação do Congresso dos Estados Unidos comprovou).
Seria pedir muito a João Pereira Coutinho que disse-se que o PCP apresentou um voto na Assembleia da Republica que não só felicitava a libertação da senhora, mas condenava também as práticas do Sr. Uribe.
Seria pedir a João Pereira Coutinho que fosse verdadeiro e honesto, mas não lhe pagam para isso...