
Frente às assentadas geológicas, ora terra ora pedra, os cabouqueiros pareciam formigas e eram gigantes. Músculos a substituírem o aço; braços a revolverem toneladas. Os cronómetros do engenheiro só paravam à noite, antes que o corpo, exausto, lhes pedisse repouso. Já não era Henri, nem Amaro, quem mandava ali, mas aqueles ponteiros infernais que tudo arrastavam atrás deles.
Acicatados pelos, prémios, tementes às multas, os cabouqueiros puseram luta e energias e sentimentos. E não viam que, quanto mais vencedores, mais vencidos ficavam.(...)"Excerto de "Engrenagem" de Soeiro Pereira Gomes
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